terça-feira, 30 de setembro de 2008

Imagine


Imagine como seria o "não" se um dia ele se concretizasse. Feche os olhos por um minuto. E imagine. É esse o verbo que impera quando não podemos ver. A imaginação ganha suas asas mais potentes.

Em Ensaio sobre a cegueira, enxergamos isso e muito mais. Um filme que retrata a cegueira resultante de tanto exagero por parte da "lucidez". Em poucas palavras: é tanta coisa ao nosso redor que mal vemos o essencial, o que nos bastaria como seres vivos. Para percebermos isso, Saramago propõe um teste no qual a visão é desprezada e os homens são postos à prova em sua capacidade de sobrevivência e organização social baseados em todos os outros instintos e sentidos. Vale tudo, menos ver.

A realidade de cada um é, então, construída pela imaginação. E, por um instante, há organização em meio à desordem aparente. Sim, pois, ainda que guiados por seu próprio universo imaginário, cada um conflui com o coletivo no interesse pela permanência no mundo. Sem ser visto, o outro é percebido. E um diálogo ou um desejo flui a partir da sensação de uma nova presença física. O real se mostra com outro teor. Agora traz peso, emoção, calor, energia... ultrapassa a relativa aparência para se justificar.

É assim que o escuro dá vez ao claro. E que talvez o "não" deixe de ser. A vida acontece diferente, mais rica. Nova, sem cores e formas pré-definidas. Bonito e feio perdem sentido. Ela só pulsa em cada um e vibra no ambiente. Animais? Não, gente mesmo... Coisa de raça.

Reconheçamos: o "não" é um grande convite para o "sim". Imagine.

17 comentários:

Márcio Ribeiro disse...

Muito interessante sua alusão com o filme. Sim, a vida se torna mais rica, com menos diferenças pré-estabelecidas. Você usou muito bem as palavras, sem enxergar-mos, não faríamos tantas distinções, preconceitos, seriamos até mais justos e solidários.

Adorei o teu post!
abraço,
http://comideiaseideais.blogspot.com

Tata disse...

Oi,

Olha tanto o livro como o filme são ótimos!

Fazem a gente refletir sobre muitas coisa que não vemos ou estamos evitando olhar.

Sem a visão sobra muita coisa a alma que é o mais importante!!!

O toque entre almas fica inevitável quando fechamos os olhos e é aí que aconteçe a grande fusão entre duas pessoas, seja na amizade ou amor ou qualquer relacionamento humano!-.

bjinho

JuHits disse...

Tataaaaaaaa
Que profundidadeeeeeee!!

Adorei, menina! =)

Daniela disse...

Fiquei mais curiosa ainda para ler o livro. Por mais que tenhamos a memória bem mais visual (por isso, boa parte prefere os filmes aos livros), a leitura nos permite imaginar. E aí, a aventura fica do jeitinho que a gente quer, por conta da nossa mente. Tão legal isso!

Narayani disse...

Gostei do texto.
A verdade é que estamos tão acostumados a só enchegar da maneira mais fácil que esquecemos de usar outros sentidos e a imaginação,o quais se fossem usados provavelmente exergariam além do que a nossa visão.

;**

Luiz disse...

gostei muito do texto bellissimo seu blog prbns
http://moemaemdebate.blogspot.com

carla m. disse...

eu li o livro e estou receosa de ir ver o filme...

mas achei singular sua interpretação. eu sempre lembro de pensar nessa loucura de enxergar o que é necessário.

Blogueiro Lecal disse...

Esse filme é muuuuito bom

RJ disse...

Eu ainda n ví o filme, mas o teu post me fez ter vontade de assitir,

e n sei s é por flta de tempo, mas vc deveria postar mais vezes...

gostei do blog e voltarei mais vezes

HoneyBee disse...

Acho que o livro deve ser ótimo, mas estou reticente com o filme, não gosto muito do trabalho da Moore.

Quanto ao seu post, é verdade, muitas vezes negar algo é necessário para que entendamos coisas diferentes...

Surtado disse...

Pois estamos com os olhos vendados no que colocam em nossa frente e aceitamos, sem a corragem de dizer um Não ...

Blogueiro Lecal disse...

Gosto do filme
e post muito bom

P.G. disse...

Ainda não vi este filme. Ouvi comentários de que não era muito bom. Mas vou repensar o caso, depois dessa crônica.

Bju

Cássia disse...

Um dos melhores filmes que vi por estes anos! Consegue concretizar as sensações.Acabamos vendo pelos olhos cegos dos personagens, agradecendo por não ser os nossos...

Garoto.beijado disse...

Que lindo!
Realmente!
Aliás, amei a ultima frase!
Tenho que assistir esse filme! o/
Também amo, os sonhadores!

Beijos!
Parabéns, pelo blog! Tá show!

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Homenzinho de Barba Mal feita disse...

Saramago é demais.
Eu ouvi ótimas critícas sobre esse filme. Ainda não tive a oportunidade de assisti-lo.



http://hdebarbamalfeita.blogspot.com/

ederdbz disse...

sou meio suspeito de falar de produções de Fernando Meirelles... esta em particular equipara-se com Cidade de Deus, ele é diretor meticuloso e impõe ritmo interessante e pessoal em tds as suas obras...

belissimo blog