sábado, 10 de março de 2007

Há um buraco no meio do caminho

Eu vou falar, vou falar ao mundo sobre as discrepâncias da humanidade. Sim, só vocês dessa raça capaz de me compreender são os mesmos responsáveis por todo esse buraco no meio de tudo. Há um buraco em cada um de nós. Há também um em alguma instituição da sua cidade. Há um buraco no coração da sua mãe e na cabeça do seu pai. Certamente também deve haver um buraco na sua mesa, no chão da sua casa, na areia da praia. Há um buraco enorme sobre a superfície do planeta nos deixando cada vez mais expostos aos danos da maior potência de energia conhecida até hoje. Será que o Sol tem um buraco?

Lembro-me muito bem – não da data, mas do episódio - de quando Júpter sofria uma “explosão”. A parte que ele perdia era maior do que a Terra. Eu estava viajando à noite para uma praia, e chovia muito na estrada. O tempo da viagem era menor do que o processo que ocorria no maior dos planetas, o qual, a partir de então, também ganhara um buraco. Lembro-me que o condutor dirigia com toda a segurança do mundo. Os passageiros aflitos e ele todo convicto de que nada aconteceria. E eu comigo: “Puxa, tá tendo uma explosão no universo agora, algo de que não conseguimos nem imaginar o tamanho, e esse cara acha que pode com tudo”.

Hoje entendo que ele é um ser humano. E não tenho dúvidas de que há um buraco gigantesco no meio dessa pessoa. Para a Ciência, a gente nasceu de um buraco. E se usarmos da tal da lógica, filhos de um buraco, buraquinhos seremos. Freud tentou nos explicar através de nossos buracos, e foi fascinante em seus argumentos, ainda que alguns não admitam com tanto orgulho a fase anal. Enfim, será esta a razão para o caminho humano rumo ao caos? Os nossos buracos?

Os buracos nos explicam e nos fazem ser os responsáveis pela atrocidade planetária. Eles estão em toda parte: em nós e muito além de nós. Ou seja, existem em maior número. Se fôssemos nos confrontar, seria um auto-genocídio. Afinal, eles têm tudo para se desviarem e não serem atingidos por nossas balas e nossas super-bombas. Nos mataríamos em pouco tempo. E agora? Esta é a situação: nós e os buracos. Os nossos, os dos nossos amigos. E vamos viver errando por causa deles. Você pode até tentar um dia adotar um buraco, estudá-lo, pesquisá-lo, criá-lo como um filho. Mas você nunca vai entendê-lo por completo. Porque ele é maior. Já existia antes de nós e está à nossa frente, seja lá qual for o dia de amanhã. Eles estão por todos os lados e sempre estarão. Os buracos dominam o mundo.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Muliere

Mulher!

De beleza rara
de pureza clara
de olhar penetrante
de voz cativante
De uma força única
de uma garra imprevisível
de uma simplicidade transparente
de uma complexidade compreensível
É você, mãe, filha, esposa é você mulher.
Mulher que luta, busca, deseja, alcança, sonha, espera, chora, sorri.
Mulher que canta
que dança, grita, silencia.
Mulher que se maquila, se bronzeia que é bela, pura.
Mulher que sente, ressente, ama, cuida.
Mulher que se cansa, descansa, trabalha, batalha.
Mulher que da costela
foi tirada para se tornar
companheira e assim ser respeitada
por sua vida inteira
e amada por sua natureza
Mulher que tudo faz gracioso
mesmo no momento mais doloroso
trazendo o conforto e a força que muitas vezes nos falta
Mulher que em tudo vê a beleza mesmo nos momentos em que a tristeza
nos faz querer fechar os olhos.
Mulher que neste dia, mais que nos outros,
reconhecemos e nos demais sempre amamos
quero lhe dizer que todos os dias são dias da mulher!

By Maninha Renatóviski

sábado, 3 de março de 2007

Aliquod de Flaubert

"Ama a arte porque, de todas as mentiras, é a que menos engana".
Uma homenagem ao criador da Madame mais famosa da literaura. Cinco anos de trabalho, e Gustave Flaubert presenteia o mundo com Bovary em 1857.
Obrigada.

Hodie, três, martiu















Sedere felice.

quinta-feira, 1 de março de 2007

BBB


- O BBB é um programa culto?
- Nãããão!
- Você ganha ou aprende alguma coisa assistindo a mesma coisa todo dia na TV?
- Nãããão!
- Pelo menos um centavo daquele um milhão vai pra você?
- Nãããão!
- Então pra que perder tempo assistindo a tanto besteirol?
- Ah, essa resposta é mais complicada, né? O BBB é um programa que não enaltece absolutamente nada do que você pode ter de positivo e, muito menos, contribui para sua formação intelectual. Só que há um detalhe a ser lembrado: somosbrasileiros, esqueceu?
Como é a nossa vidinha diária?
Acordamos apressados depois de uma noite mal dormida após um dia estressante, pegando 45 min de busão pra chegar no trampo.Ultrapassando esta etapa, eis o dia de trabalho: corre-corre, pressa, pressão. Aí no fim da noite você espera na parada uns 30 min básicos o mesmo busão, só que lotado de gente e com odor não tão agradável. Chega em casa, as costas dóem, a vista pesa. O dia foi puxado. Aí, é lógico, tenta aproveitar o pouco tempo que tem para o lazer diário (1 hora? 2 horas?) e o que temos à vista? A nossa valiosa TV! A nossa maquininha de entretenimento que a essa hora da noite nos traz novela nacional, fofocas, novela dublada, programas policiais, outra novela nacional e um programa que mostra uma mesa redonda com grandes ícones do esporte discutindo o brilhante desempenho das nossas equipes de futebol, maravilhosos em seus argumentos sobre chutes, lances e defesas de gol. Um cardápio que deixa qualquer um confuso para escolher entre tantas opções.
O detalhe é que, todo começo de ano, a Globo, a que traz uma das novelas nacionais, exibe o BBB. Todo mundo prefere espiar a casa e as atitudes, os complôs e as cenas quentes que os confinados fazem o favor de provocar. Ora, mas é isso que o brasileiro quer ver mesmo. Brincadeira, intriga, paquera, fofoquinha. Esse cara que pega ônibus todo dia não deve ser massacrado porque assiste ao BBB. Nem o executivo que diz que passou só 1min na frente da TV porque parou para ver as pernas da Fani. Que bobagem! Pra que ter vergonha de dizer que assiste ao programa? É distração como qualquer uma das outras opções que estão no cardápio. Tem valor igual no que diz respeito ao não incentivo intelectual. É entretenimento puro. Deixa o brasileiro ser feliz e ver na TV o que gosta. Quem é capaz de mudar isso não está nem um pouco afim, assim como também não liga e não faz questão de que comecemos a pensar e ter gostos diferentes, mais interessantes e mais benéficos para nós mesmos. Quem leva uma rotina nada fácil, já sem nenhuma perspectiva pra depois, vive num sentimento de inércia que nem a indignação vale mais a pena. Ele, depois de muito batente, sabe que a vida não vai mudar. Hábitos como a leitura ou ouvir uma rica canção não fazem sentido para esse sujeito. São práticas muito ligadas ao prazer, à curtição e elevação dó que chamamos de vida. E nós não podemos, de maneira alguma, apontar pra alguém por causa disso.
Deixa o cara torcer pelo Alemão e vibrar quando ele levar o prêmio. Quando tocar aquela música e o Bial anunciar, o cara do ônibus vai vibrar em casa e chorar como se a grana fosse dele. Ele não leva nada, vocês sabem quem leva tudo. Deixa o cara sentir felicidade, nem que por tudo que ele vibre seja farsa. A sensação dele não será.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Babel, o filme do mundo mudo

Calor, sangue, desespero, cansaço, mundo mudo, medo e a famosa culpa. Inárritu mais uma vez surpreende os espectadores das salas de cinema dos diversos continentes com a sua vontade de representar a dor humana, proveniente dos percalços que o tal do homem criou. Percalços que impediram a compreensão, algo que poderia ter tornado a vida tão mais fácil Terra. Mas, a realidade é a que o próprio mito explica como a punição do Senhor pela pretensão profana de construir a Torre que alcançasse o céu. Rá (rsrs), veja só, Deus deixando os homens alcançarem seu terreno... É de rir mesmo. Rir e compreender como até os mitos nos reconhecem como genuinamente ambiciosos. E foi por causa disso que Deus dispersou os homens em diferentes partes da Terra, desunificando aquele um só povo com uma só língua; Ele os espalhou, originando (seu verbo mais característico) novos povos e diferentes línguas.

Foi desse povo diferente que Iñárritu falou em Babel. Arriaga traz um roteiro típico de sua personalidade e o casa com as manias do diretor mexicano. É a combinação que considero perfeita, assim como fizeram em Amores Perros (Amores Brutos) e 21 Grams (21 Gramas). Mas Babel vem pra finalizar a trilogia do trágico humano. E vem muito bem porque traz, tão bem como os dois anteriores longas, a realidade crua desses tempos de miséria e indiferença. A vingança, a fúria, as ações da mente humana diante das situações-limite que esses dois teimam em nos apresentar da maneira mais tocante possível. É neguinho saindo da sala de cinema por não suportar. Somos infinitamente diferentes, mas não podemos negar o que temos em comum: nossa única essência. Por isso a dor incomoda quem quer que seja: o loirinho rico da Suiça, a japa underground cheia de tecnologia, o aidético africano e o subdesenvolvido uruguaio. Acreditem, vocês vêm do mesmo buraco.

No filme, três histórias se cruzam novamente. Procurando se apegar ao mito, as línguas e os povos do Japão, México, EUA e Marrocos aparecem se desencontrando em seus costumes e se diferenciando em suas crenças; mas eles sempre, sempre se confudem nos preconceitos, se misturam nos seus medos, se mesclam quando o que vale é salvar uma vida ou até mesmo começar uma. Os homens foram dispersados no mundo, mas nunca deixaram de ser homens. E vão morrer pagando por isso. A cena em que prendem a imigrante mexicana e a que mostra a recusa de dinheiro em troca do favor pelo marroquino são pontos fortes que nos denunciam como produtos do mundano e do sagrado. A surdez que mais representa os olhos fechados dos outros para com uma deficiência. Babel dá um nó na garganta quando nos põe frente a frente com o que somos. Não tanto quanto 21 Gramas, mas apela para o nosso carma chamado sofrimento, ponto de partida para a negação e ao mesmo tempo para a solidariedade. Sofrimento responsável pela dor e pela alegria, pela vontade de mergulhar no real e de emergir curiosamente para o subjetivo. Ele nos questiona. Faça isso também.

She confesses and we too




Brilhante, uma verdadeira estrela planetária. A energia solar não é o bastante para ela. Está na Enciclopédia Britânica. É um ícone do pop mundial. Quem não queria uma gotinha desse poder? Porque isso sim é muito poder e influência. Ela conseguiu alcançar o máximo, um ponto que muitos, muitos mesmo, morrem tentando sem nunca ter conseguido. Não há quem não a conheça, não há quem nunca tenha arranhado seus sons. Não há mulher que nunca tenha sonhado em ser Madonna, the mother, la mama, a "Santa" Mãe.

Confessions on a dance floor traz tudo de moderno e futurista. Batidas que empurram qualquer um para a pista ou fazem pisar fundo no acelerador. Ouça Madonna, pule, dance, grite no volante, pire o cabeção com ela. É por isso que ela existe.

OBS: Umas das preferidas desse álbum: faixa 11, Push.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Meia hora com Ubaldo


Esse cara é genial. Não há uma só vez em que eu esteja em sua companhia sem que o mínimo do agradável não me acompanhe. Ele me faz rir em menos de dez minutos. Hoje foi com a "A casa dos budas ditosos", livro editado há mais de seis anos, mas que ainda não tinha tido a esperteza de achá-lo "intuitivamente" entre as prateleiras das livrarias. Digo isso com constragimento, porque um autor como o Ubaldo, o bom leitor encontra é no faro mesmo.

O post neste quase-abandonado blog veio com um tom de agradecimento. Foram 30 minutos apenas. Meia hora suficiente. Reafirmo meu fanatismo em relação a sua escrita, o fenômeno intelectual que se apresenta em páginas construídas a custo de muita leitura e doses com algum teor alcóolico. Acho que só contribui. Dizem que o homem se revela nessa hora. Muito mais prazer em conhecê-lo, Ubaldo.

Agradeço pelo povo brasileiro que tem chance de ser descrito em seus texto, comparando-se e confundindo-se com os podres humanos sociais. Quero outro encontro logo, logo.

Collectanea


Os boçais. Eles são tidos como os mais chatos (a foto acima diz tudo), os que têm camarins mais requintados e com as exigências mais frescas de todos os tempos; entre elas, a famosa (e caríssima!) porcelana chinesa. A primeira frase do Noel no dia do casamento foi: "Porra! Eu tenho que acordar cedo só porque vou casar?". E eles ainda negam insistentemente que querem ser os Beatles da atualiadade. É briga, é droga, polêmica pra lá e pra cá. Assim levam a vida como uma das melhores bandas de rock de sucesso planetário nos nossos dias.

Eu, que destesto frescura e arrogância, ingrediente que é a cara dos irmãozinhos, tenho de confessar que eles são muuuuito bons! Não adianta. Não há boçalidade que bata a qualidade do som dos caras. E a novidade que mereceu o post é: tchan tchan tchan tchan!!!! Tensão, tensão tensão.... Oasis lança coletânia definitiva "Stop the clocks"!!

Uhuuuuu!! Que presentão de final de ano, hein?! É a primeira retrospectiva dos dez anos de chão da banda. As faixas foram escolhidas pelos próprios, que reuniram, a seu gosto, as 18 melhores músicas de toda a década num CD duplo. O lançamento triunfal do disco aconteceu em Paris e, pra variar, eles foram um sucessoooo!! Agora os lindinhos tiram férias - merecidas, diga-se de passagem - antes de trabalhar algo inédito. E a gente? Bem, a gente curte uma nostalgia daquelas...

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Aspirante ao vegetarianismo


Tenho uma amiga que está cada vez mais simpática e aberta à idéia ser vegetariana. Acho que vi aí algo além do não comer carnes. Se ela toma isso como uma alternativa de vida, como escolha, leva consigo um montão de anulações decorrentes de uma opção. São as "perdas" necessárias para os ganhos que se quis. E faz parte do perfil dela, amante do sentimentalismo e das questões invisíveis que nos rondam e nos afligem diariamente. É sua pauta preferida onde quer que esteja*.

Isso vai de acordo, mais uma vez, à característica preferência, também dela, dos animais às crianças. Veja só como as coisas se encaixam: tudo pelo amor ao bichos! Conhecendo-me já há mais de duas décadas, afirmo veemente que, se fosse comigo, essa idéia não passaria de pura intenção. Não sairia mesmo da utopia. Já me vejo muito pertecente a esse universo competitivo, de pessoas construídas e cada vez mais formuladas à busca constante pela ascensão social. Uma briga eterna para alcançar aquele salário que, mesmo depois de obtido, ainda não será suficiente. E no final, é como meu irmão diz, todo mundo morre (essa foi p rir baixinho, rsrsrs). Pra quê tanta correria? Meus netos terão brinquedos espaciais e eu serei provavelmente uma velha inconformada com as minhas incessantes dores.

Acho que ser vegetariano no mundo do jeito que está hoje é ser quase anti-canibal, porque isso é o que a gente é, só que de forma indireta. Pensando filosoficamente, anular as carnes do cardápio é um ato lindo. Mas já pensou a dificuldade triplicada que terá de se enfrentar para conseguir sê-lo aqui no Brasil? E em Fortaleza, no meio de uma cultura arraigada pelo influente poder destruidor global e pela forte marca machista e animal da região? Essas características podem tornar o caminho bem mais difícil. Enfim, é um desafio brilhante na minha opinião. Deixo os pontos para análise e outros para reflexão. Espero mesmo é que minha amiga se sinta bem saciando-se seja com o que for: carne-vermelha-do-mundo-"sou-canibal" ou nutrientes-clorofilados-saúde-pura.

Beijos a todos.

*Vale a pena conhecê-la e tirar um bom papo com a figura. Se pintar interesse, me liga que faço a ponte! =)