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sábado, 17 de março de 2007

O texto sobre o cordão umbilical

Vendo uma campanha da Fundação Abrinq na Tv Cultura, parei nos patrocinadores oficiais que sempre vêm ao final do vídeo e mirei com atenção aquela corda branca, desfiada e em forma de um caminhozinho que ia de uma ponta a outra da tela. Para mim, aquela cordinha branca significava o cordão umbilical. Aí eu me transportei: "Puxa vida! Como ainda não havia escrito nada sobre o cordão umbilical?". Num súbito empolgante, corri para o PC e aqui estou, organizando idéias sobre o cordão de que nunca havia falado.

O cordão umbilical significa, no mínimo, dois. Apesar de ser um, ele serve como elo entre quem já existe e quem está por vir. O cordão alimenta e é ponte de vida e sentimento. É, então, divino. As barrigas das grávidas denunciam as vidas escondidas, gente bem pequenininha que está no mundo sem conhecê-lo. Os cordões? Eles estão lá, preparando os novos seres para o que vem pela frente. E é fantástico imaginar essa "peça" no meio da "fabricação" de mais um de nós. Hoje, a Medicina - graças a Deus, em mais um de seus mega-avanços - já trata o cordão com mais categoria, isso porque ele possui células tronco sangüíneas mais primitivas que as da medula óssea. Agora um monte de mamães já o conservam a favor da saúde dos descendentes. Um ponto para os cordões!

Sociologicamente, também é possível associar os cordões aos laços afetivos, tão pertinentes nesse ambiente que se pretende "socializável". É o que nos liga aos outros, às tarefas diárias, aos sentidos que nos foram oferecidos antes mesmo de chegarmos aqui. Os cordões umbilicais são tão fortes quanto os laços afetivos. São necessários e nos tornam dependentes de sua existência para que sigamos vivendo ou sobrevivendo, como melhor cabe à maioria.
Seria cômico se não coubesse tão bem o ditado. Todo mundo fala que os boçais são pessoas que só enxergam o próprio umbigo. E não é que é verdade? O que é o nosso umbiguinho (o umbigo, com esse nome, também merece um post só pra ele!!)? É o que sobrou do nosso cordão! É o nosso começo no mundo. É a marca de onde exatamente começamos a existir materialmente. E nós, mulheres, temos a grande sorte de poder alimentar mais um por esse mesmo canal. Simplesmente TU-DO! Dá vontade de ficar grávida só pra se sentir nove meses diretamente interdependente e responsável por uma vida a mais na esfera. O boçal só vê o seu umbigo porque, para isso, é preciso se curvar completamente para o que o mundo o mostra; é preciso muito egoísmo e falta de senso para baixar a cabeça, negando tudo o que não é ele, e passar a contemplar um pontinho preto no meio da barriga. Aff...
Enfim, os cordões são muito mais importantes do que imaginamos. São muito mais vitais do que o que é possível de se ver. Os cordões são a troca da energia da vida, são como os laços que nos interligam e nos prendem aqui, que nos fazem dar e receber para continuar. Eu amo o meu cordão umbilical, seja lá onde ele esteja.

domingo, 17 de setembro de 2006

Civitate de Amore


Sou leve, me sinto samba, sono, luz. É você, meu bem, grande motivo da minha calma, justificativa ideal pro meu levar à toa. Já me sinto a sua benvinda companheira de que Chico fala. E quero sê-la no ideal. O som do dia acordado irá nos apressar e vamos questionar como é difícil amanhecer. A cidade dos indivíduos precisa amar. Será que conseguimos?

Os afazeres vêm nos pertubar e eu te chamo pra fazer samba comigo até mais tarde. Vou tornar mais longo o bom do seu dia e mais radiantes as cores ao seu redor. Vou gritar dentro de você e deixar o som ecuar por quantas vezes quiser ouvi-lo. Vou te girar e me girar em você. Vamos ficar tontos, mais tontos. Intento te surpreender. Apesar do sempre, vou buscar ser novidade e insistir no belo.

Vou te provocar a leveza, o samba, o sono e a luz que sou hoje. A pressa urbana não será abalo, meu colo vai te acalmar de todas buzinas, de todos os sermões desnecessários. Eu me camuflo no meu cheiro onde quer que você esteja. Te provo a segurança a que o nosso sentimento nos induz. Nada de correria. Vamos fazer samba e muito amor na calmaria do nosso lar. Espetacularmente nosso.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Música-da-Mata


Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida
Sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte
Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, heim?
Entre tantas paixões
Esse encontro nós dois esse amor
Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa heim?
Entre tantas paixões
Esse encontro nós dois esse amor

Ainda Bem.
By Vanessa da Mata.

Música. Do Lat. musica; Gr. mousiké, das Musas, das belas-artes, especialmente dos sons. Música é bom demais. Mata de prazer ouvir um bom som, aquele que é "a sua cara". E eu morro de escutar a mesma faixa milhares de vezes. Música é a arte e a ciência de combinr esses sons em harmonia. No momento, Vanessa da Mata tem preenchido meus ouvidos com a melodia leve e simples das canções apaixonadas. Bacana demais. Depois de penetrada na mente, não há quem consiga observar a letra apenas com os olhos. Só consigo cantar "Ainda bem". Me mata.

Uma vontade de quem estudou um pouco de Análise do Discurso. Falar sobre as formações textuais: utilizar o "sei lá"ou o "senão" na letra da música foi fantástico para a frase cair na boca de qualquer um. Boa munição no meio pop (que ninguém consegue definir, então pode-se dizer que é MPB também. Afinal, ela canta algumas do Caetano, não é isso?)... "Conforto de amar" traduz em outros termos a tranqüilidade interior que o sentimento traz . Boa também porque é expressão incomum. Pequena e arrumadinha, é quase intelectual. Matou a pau, Vanessa.

"Cuidado" e "entrega" nem preciso dizer. São as palavras exatas pra quem tem um amor. "Tantos outros", "anos" e "paixões", é "sorte" mesmo achar que encontrou o alguém ideal. E é ótimo se imaginar como sortudo(a) porque amor de verdade é raro. Daí a dignificação da sensação. A raridade dá status de excelência a quem alcança. Lá vai o amor se justificando como o maior dos sentimentos de novo. Mais uma dentro. Vanessa mata mesmo. Acho que ganhou mais uma fã, viu?! =)