quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Click, o filme



Em "Click", Adam Sandler é um arquiteto workaholic que se depara com um controle remoto universal e, detalhe, o tem sob seu poder, o que se pode considerar um verdadeiro perigo mundial! Interpretando Michael Newman, Sandler também produziu o filme que vem provocando - como sempre, no seu estilo - gargalhadas prolongadas da platéia. No elenco, ainda figuram o grande Christopher Walken e a bela Kate Beckinsale, que atua como a esposa do arquiteto trapalhão, pondo-o ainda numa posição mais hilária: "Como ela pôde se casar com ele?".

A obra chega a ser interessante se pensarmos nos pontos mais diversos que ela aborda. Apesar de ser uma comédia, o filme pensa o papel do pai na instituição social família. Depois de muito riso, a sala do cinema é tomada por uma onda emotiva e o silêncio paira evidenciando o toque interno que as cenas provocam. O diferente é que esse tipo de abordagem se inicia "sozinha", distante do humor. Quando Michael Newman quer ser sério, ninguém segura, o choro é inevitável. O mesmo vale para as gaitadas, como chamamos aqui.

Uma comédia leve sugerida para um domingo tranqüilo, daqueles seguidos de pizza e gostinho ruim da lembrança do dia seguinte: segunda-feira. =/
O que salva a sugestão são realmente as piadas idiotas e a velha fórmula emotiva que perdura "hasta hoy". Ah, sempre vale a pena rir e chorar com o Adam, né?! =)

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Creatione I



Esta foi a primeiríssima. Mãe de muitas que virão.
Éééé!!! Maumau e Juju na área, cumpade!

Sai da frente! Uhuuuuu!!!!
=)

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Scribere

Escrevi, escreveu. Um escrito.
Nós somos o tom da palavra do grito.
Risco leve que acalma o espírito.
A letra é válvula do mito infinito .

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Política de boa vizinhança


"Que não se preocupem os vizinhos do norte, que não pretendo exercer meu cargo até fazer 100 anos".
Fidel Castro, presidente de Cuba
Fidel entrega "temporariamente" o poder ao irmão Raúl depois de cirurgia provocada por aguda crise intestinal com prolongado sangramento, de acordo com os médicos. Informações sobre seu estado de saúde passam a ser "segredo de estado" só para os vizinhos do Norte não tomarem total conhecimento. Cubanos exilados festejam em Miami.
Nos últimos 47 anos, essa foi a primera vez que Fidel transferiu todos os seus poderes. No próximo dia 13, ele completa 80 anos. Os vizinhos do Norte desejam e até torcem pelo fim de sua era, o que definitivamente não querem é a tomada de um governo fraco, não querem entupir a Flórida de cubanos.
Na ilha que sobrevive à sua maneira, os presos são ditados pelo imperador. O que eles pensam? O que eles podem pensar? A luta foi linda, mas cadê a liberdade? Valeu a pena? Pra mim, pelo menos, é uma incógnita.

domingo, 30 de julho de 2006

URBES FAVELA - Velocitate pueril


De 26 a 29 de janeiro, Fortaleza assistiu ao multiculturalismo na dança de quase 300 crianças e adolescentes que mesclaram, durante quase 60 minutos de apresentação, o diálogo corporal e o lirismo farto de Manuel Bandeira em sua poética. Os meninos atendidos pela Escola de Dança e Integração Social da Criança e do Adolescente (Edisca) transmitiram, em todas as oito exibições no Theatro José de Alencar com público máximo, a linguagem da favela urbana.

No espetáculo, música de rua, reggae de Marley e batidas estrangeiras que evidenciam a invasão de outros mundos aqui. "Idioteque", do Radiohead e Marisa Monte falaram a contemporaneidade das cidades abarrotadas de gente: "Take your money and run..."; são vidas que não precisam ser lembradas. São números que ficam a cargo e responsabilidade dos fuzis, o corpo imóvel carregado em uma cena comum, um balé nada inusitado.

O palco do teatro suportou os pés, os pulos e os gritos daqueles meninos e meninas que pedem não muito, aquela atenção de platéia já ajuda. Um ano de oficinas e trabalho diário intenso fez com que jovens moradores de bairros carentes de Fortaleza conhecessem a responsabilidade de todos os dias. Foi fixado ali um compromisso para com eles próprios, empenho nunca antes exigido. Afinal, o nada não pede esforço. As aulas de dança foram um ótimo pretexto para a inserção social e, de quebra, ainda passam a cultuar a rica integração de corpo e mente. Eles carregarão isso sempre.

Urbes Favela mexe com quem assiste, intriga o incômodo que a velocidade pueril sofre em conseqüência do imediatismo moderno, todos já são adultos e a lentidão mórbida os tornam zumbis desse tempo de sono que o país parece viver. Ninguém acorda por total. O PCC, em São Paulo, ainda tentou, mas o depertador foi reativado no snooze, mais uma vez. Incrementemos, então, nosso mundo onírico com as danças dos meninos carentes, ainda que pra eles nada daquilo fuja à sua crua realidade.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

A história da própria cabeça é a dos nossos dias


"Eu devia ter uns 7 anos. A professora sempre mandava a gente fazer composição sobre estampa de vaca, estampa de pintinho. Uma vez ela disse: ' Hoje cada um vai fazer uma história da própria cabeça ' . Foi nesse momento que eu comecei a ser Nelson Rodrigues. Porque escrevi uma história tremenda, de adultério."
(Entrevista concedida à Revista Playboy em novembro de 1979).
Sem controvérsias, o melhor que o teatro moderno brasileiro já teve. Mais uma vez, minha nostalgia inexplicável de uma época a que não pertenci vem à tona. Desta vez, e como tantas outras, o Nelson me toma de supetão e eu queria estar em seu tempo, naquelas ruas onde as mulheres de vestido e batom vermelho usavam salto e mostravam as pernas, rebolavam e paqueravam segurando com charme a bolsinha da cor do vestido debaixo do braço, passo apertado, sempre com muito feminino no jeito.
Naqueles anos, quando as noções de casamento e adultério foram transpassadas, modificadas, os jovens casais eram empolgados pelo proibido. Na verdade, Nelson os movia por esse instinto. E pelo trágico que o permeia, encontramos ali a realidade social do brasileiro dos anos dourados que vivia algum sabor. Ele contava a história da vizinha, a traição do amigo de trabalho, os tragos dos jornalistas em crise de consciência moral diante da pressão ideológica. O topete do malandro e os afagos em camas de outros donos.
Falo disso porque, nos tempos de hoje, o vazio tomou conta de tudo. Não temos o impulso pelo proibido saudável, a individualidade enfraqueceu o amor trágico e os filhos são projetos pra depois. A programação reina e ninguém tem o prazer gratuito de levar uma brisa no rosto às 16h da terça-feira porque a agenda está lotada. A esposa e o esposo são papéis de antigamente.
O nosso maior dramaturgo exibia as farsas da gente, os cotidianos que viraram peças de sucesso com a identificação imediata. Sabia do amor maior (por isso o trágico), conhecia as fraquezas das relações do dia-a-dia, falava como ninguém da paixão que ferve. 25 anos depois de sua morte, eu apenas intento as emoções do seu gosto vivido. A seguir, um depoimento do quão real eram aqueles causos:
"Durante 20 anos, durante toda a década de 40 e toda a década de 50, fui um homem absolutamente só. Combatido, me chamaram de tarado, de cérebro doentio. Poucas pessoas, algumas exceções como Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Manuel Bandeira, me estimulavam. Mesmo o Manuel Bandeira chegou pra mim um dia, quando eu e meus personagens éramos odiados, e disse: ' Nelson, por que você não faz uma peça em que os personagens sejam assim como todo mundo?' Eu respondi da forma mais singela: 'Mas, meu caro Bandeira, meus personagens são como todo mundo.' Porque uma coisa é verdade: quem metia ou mete o pau no meu teatro está procedendo como um Narciso às avessas, cuspindo na própria imagem. "
(Ao JB em 14/04/80)

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Fadigar


Hoje o cansaço tomou conta de mim. E eu não sou das que conta isso com orgulho. A cafeína de todos os dias engana meu organismo aos poucos, e eu já não faço mais questão do controle. Pra quê? Os olhos só abrem para o agradável, as letras só ensaiam seu prazer. No vai-e-vem rotineiro, ouvir a boa música relaxa meu olhar, meu andar descansa e de repente eu me despreocupo. Esse escuro não condiz com a minha esfera, sou de cores.

OBS: Ao escrever sobre minha própria fadiga, meu principal ânimo acaba de vir me ver. Ele vai rir ao ler e entender tudo) .

É incrível. O esgotamento cessou. Vou para a última etapa do dia.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Sí, en español


Las letras de hoy no son las de siempre. Yo las tengo cariño e un cuidado que no es mío, por sinal. Las frases de ahora no son las de costumbre, ellas piden más. Yo les entrego lo más de mi, de todo lo que me gusta. Sí, estoy sorpresa por el todo. La película de los momentos son distintas de las usuales, el cuento cambió. Yo quiero ser la misma de siempre. Intento mis ganas usuales, los miedos consejeros, las voces que nunca dejaran de ser apenas sonido.

Una mujer latina solo sabe lo que es porque la sangre siempre joven evidencía. La sonrisa es una denúncia. Lo alegre de la danza contagía toda la gente y los colores son infinitos. El calor nos hace ser buenas, las mejores en cualquier paisage frío, hasta cuando somos solitas. Bella, fuerte, única. Mujer latina. Yo soy una.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Fame triste


Tô com fome de bebida, fome de comida, fome de parida.
Apetite para a vida, a comida é tampa da ferida.
E se você quiser comer, peça a preferida.
Na ida, faltar-lhe-á a acolhida. Sentida. Pedida.
No final, a fome não é matada, ela só é vivida.

Sanduíches entristecem.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Vibratione


Ele é isso mesmo. Não há outro melhor termo para a definição de Marcelo Falcão. O cara detona quem tiver por perto, ainda mais se sua voz estiver vibrando através de gigantescos paredões de som. No dia 15 de julho, O Rappa fez show na capital cearense e contagiou até quem não conhecia a salada deliciosa de reggae, rock, samba e eletrônico. A casa de show com ar condiconado abafou a fumaça expelida. Enclausurados no ambiente, ficamos todos embriagados com o cheiro e o som suado.

Chorando a voz dos massacrados pelo sistema, Falcão fez quem estava ali sentir um pouco da dor dos que não têm vez. No contrabando de idéias que a banda assume praticar, fizeram o rapa, por algumas horas, na sujeira que contamina a massa social. Escancarando as mazelas políticas, a música vibrante denuncia as falsas autoridades do país. Em analogia perfeita, O Rappa as simboliza nos fardados que invadem a rua 25 de março da maior cidade da América Latina. Quem é o maior traficante dessa história?

Os cariocas ainda incrementam o palco com o grande relógio da Estação da Luz, em São Paulo, um dos edifícios-símbolos de um dos maiores centros comerciais do planeta. Os ponteiros não deixam esquecido o tempo que regra os habitantes metropolitanos e, ao fundo, o metrô com iluminação que dá idéia de movimento, a "minhoca de metal" do Brasil da Central. A cidade que não pára.

A banda justificou para os presentes o porquê do sucesso alavancado progressivamente ao longo dos anos. Numa interação sincera entre músicos e público, os rapeiros nos estimulam à empreitada do não-óbvio, à inserção no contraditório social. Eles nos fazem querer ser do morro. Quando eles cantam, eu tenho orgulho das mulheres que sobem e descem à procura de água, à procura de paz. A paz que elas querem. Paz que é muito para quem não tem nada.