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sábado, 7 de julho de 2007

Kruppa


Final da Especialização em Assessoria de Comunicação, disciplina de Psicologia Organizacional. Definimos grupo:

do Germ. kruppa, massa enrolada
s. m.,
conjunto de objectos abrangidos no mesmo lance de olhos;
conjunto de coisas que formam um todo;
conjunto de indivíduos que têm interesses comuns;
conjunto de organismos relacionados;
reunião de pessoas;
ajuntamento;
pequena associação;
conjunto de átomos que formam parte de uma molécula;
Biol.,
conjunto de seres vivos com características comuns, a partir do qual é possível constituir outros conjuntos (família, espécie etc. );
Brasil,
uma das combinações do jogo do bicho;
gír.,
mentira, logro.
- de pressão: grupo ou associação de indivíduos que defende os interesses comuns dos seus membros procurando persuadir a opinião pública e a atividade governamental;
Med.,
- sanguíneo: cada um dos grupos de sangue humano caracterizados segundo as incompatibilidades que apresentam entre si quanto à hereditariedade e à transfusão

É. No resumão, acho que a gente foi isso mesmo.
Foi bom.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Jornalistas assessores sociais


Conflito. Esta é uma marca presente nas inúmeras discussões pretendidas sobre a polivalência do profissional jornalista tendo em vista a nova demanda de serviços de comunicação das comunidades sociais globalizadas. Entendido primeiramente como aquele que trabalha a serviço da sociedade, tomada aí em sua forma mais ampla e abrangente possível, o jornalista brasileiro se vê atualmente sobre um muro de indecisões.

Por um lado, foi, ao longo dos anos, academicamente orientado como aquele agente social capaz de interagir através da construção da informação como um bem público. Valores idealistas de imparcialidade e neutralidade compõem a essência do jornalismo como profissão. Por outro, observa hoje a crescente onda de oportunidades comunicacionais que exigem um trabalho informativo, a priori, unilateralizado: as assessorias de comunicação. O muro descreve, assim, a incompatibidade ética do exercício simultâneo de ambas as profissões.

É a partir destas explanações que verificamos a clara dualidade encarada por quem trabalha com comunicação informativa no Brasil, país onde a legislação competente é repleta de brechas que não delimitam satisfatoriamente a linha tênue definidora de ambas as catergorias profissionais. O jornalista brasileiro sofre conflitos subjetivos quanto à amplitude de sua esfera de atuação como profissional arraigado a compromissos sociais, universo caracterizador pleno de sua função laboral.

No Brasil, o Código de Ética do Jornalista, em seu Artigo 13º, afirma que “O jornalista deve evitar a divulgação dos fatos: a) Com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas; b) De caráter mórbido e contrários ao seus valores humanos”. O mesmo instrumento de apoio profissional diz, em seu Artigo 10º, que o jornalista não pode: “ e) Exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas ou privadas, onde seja funcionário, assessor ou empregado”. Pode-se verificar nos trechos a primazia por uma responsabilidade de caráter ético, justificada pela incompatibildade declarada do exercício mútuo das duas profissões aqui discutidas. A essência jornalística não é perdida, mereceu certo cuidado no Código citado, o qual, ainda que de forma tímida, atribuiu ao jornalista profissional o desempenho de assessorar uma instituição.

O jornalista de redação, aquele que investiga a sociedade, trabalha sempre na perpectiva da busca pela neutralidade em tudo o que noticia. Os fatos são relatados de maneira através da qual suas percepções subjetivas sejam amenizadas da melhor forma possível. Sabe-se, também, que a capacidade de ser imparcial é impossível, pois o jornalista é um cidadão e obedece a determinadas visões de mundo de acordo com seu universo particular. De modo semelhante, não esqueçamos a característica econômica do meio em que atua. São empresas jornalísticas, visam ao lucro assim como órgãos da esfera privada que empregam milhares de assessores de comunicação.

Um importante fator a ser mencionado neste momento é a capacidade funcional e social dos serviços elaborados estrategicamente pelos gestores da comunicação em órgãos empresarias, de estrutura explicitamente parcial. Os que atuam neste campo não deixam de ser profundos analistas do meio que os cerca, além de peças-chave na definição e construção da imagém pública da instituição que os abriga. Trouxeram contribuição. O aprofundamento do tema com o qual trabalham, a relevância social do setor em que atuam e a inserção de idéias extensivas para os jornalistas de redação são exemplos do quanto este ramo atua na imprensa diária.

Ainda que imparcialmente, a comunicação não deixa de ser realizada com qualidade e amplitude que abrangem e enriquecem os espaços dedicados à publicação de informações. Toca-se na essência da neutralidade jornalística, mas pensa-se numa qualidade produtiva que resulta em um ganho social. O muro de indecisões pode encontrar aí uma saída viável para os conflitos subjetivos incessantes. Como citado no Código de Ética, não é preciso abandonar a profissão de jornalista profissional para exercer a função de assessor. O que não se deve fazer é responder simultaneamente pelos dois cargos conflitantes.

De acordo com Chaparro, a notícia é hoje um dos bens mais valiosos do mercado mundial. O autor afirma que cerca de 95% do que a imprensa noticia todos os dias são conteúdos previamente programados por instituições interessadas ou revelações e discursos trabalhados por fontes organizadas. Daí a crescente relevância do papel difusor de quem lida com a comunicação, seja corporativa ou não. Jorge Duarte (2003) acredita que “submetido a exigências conflitantes, o jornalista assessor de imprensa foi capaz, no Brasil, de criar padrões de comportamento aceitáveis para um lado e para outro. A busca por credibilidade profissional e consciência tranqüila parece ter falado mais alto”.

Neste contexto moderno, o relevante é perceber o jornalismo como campo de atuação profissional onde todos os que o compõem podem ser constantemente beneficiados. O material que chega às redações pode oferecer mais subsídios aos repórteres e editores, as empresas assessoradas alcançam espaços na agenda pública após processo estrategicamente trabalhado, as pessoas usufruem de conteúdo consistente, interagem e assimilam informações fornecidas pelas diferentes partes deste conjunto de peças integrantes do processo de informação pública.

Desta forma, a sociedade passa a ser assessorada pelos profissionais da mídia. Direta ou indiretamente, os comunicadores prestam serviço a um público de escala mundial que diariamente demanda consumo informativo. Em assessorias ou nas redações, os jornalistas são os responsáveis pela circulação de dados e fatos, agendando, pautando e orientando cidadãos, famílias, empresários, estudantes, teóricos, gestores do Terceiro Setor, políticos, desempregados etc.

Se a comunicação for observada por esta perspectiva, o desconforto íntimo ocasionado pelo conflito ético poderia, assim, ser amenizado. O jornalista admitindo-se agente efetivamente social independente de onde atue seria já um bom caminho para o progresso legal dessas questões. A realiadade de uma definição exata para ambos os campos de atuação poderia fazer desse muro, quem sabe, coisa do passado.

Referências bibliográficas

CHAPARRO, Manuel Carlos. Bristol-Myers Squibb Brasil S.A. Fontes abertas: indicadores Bristol-Myers Squibb de relacionamento com a imprensa. São Paulo, s.d.

DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa no Brasil. In: Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia: teoria e técnica. Jorge Duarte (Org.). 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS. Código de Ética do Jornalista. Disponível em: http://www.fenaj.org.br/Leis/Codigo_de_Etica.htm

TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. A tribo jornalística: uma comunidade interpretativa transnacional.Florianópolis: Insular, 2005.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

A TV na linha de frente do combate eleitoral

Quem ainda não parou os olhos em frente à telinha na sala de casa para observar o show de promessas eleitorais está deixando de participar do processo de captação eleitoreira, uma guerrilha que acontece a cada dois anos. Os candidatos brasileiros já se apresentam ao público com todas as armas disponíveis e estratégias previamente definidas. Basta um pouco mais de atenção e até você, que não é um Duda Mendonça, pode decifrar algumas delas.

Um dos fatores que colaboram fortemente para o sucesso das campanhas via TV é a característica do indivíduo do nosso país, que, como de praxe, não tem consciência – e nem interesse – pelo conhecimento. Sim, saber mais sobre o comportamento humano e social e estudar as práticas de quem compõe a estrutura política brasileira já é um bom começo para a percepção dos dispositivos deles e, conseqüentemente, aumentar sua munição intelectual extremamente valiosa no momento decisório.

Aqui vai uma mãozinha para quem se interessa pela disputa. Primeiro, é preciso que se reconheça os mitos da autocompreensão. São eles: o da liberdade humana, que a define como a capacidade de adotar crenças e comportamentos autônomos, baseados mais em convicções do que em doutrinamentos ou emoções; o da racionalidade humana, que trata do caráter dual da pessoa e do constante conflito entre razão e emoção, sendo esta a grande definidora de nossas decisões; o da consciência, que atribui aos estímulos inconscientes a maioria das atitudes que tomamos no dia-a-dia e, por fim, o mito da percepção objetiva, o qual afirma que perceber é um trabalho seletivo e de interpretação, condicionado tanto por padrões culturais como por tendências pessoais de caráter sentimental.

Agora, imagine você assistindo ao horário eleitoral gratuito tendo em mente o mínimo desse conhecimento. Já conseguimos algum avanço, certo? Mas a empreitada pela defesa da nossa capacidade de decisão não pára aqui. Exemplos de como a mídia já foi utilizada a serviço do poderio político também contribuem para o nosso objetivo.

Joan Ferrés, em Televisão Subliminar, descreve várias situações, em diversos lugares do mundo, nas quais a televisão e as artimanhas publicitárias foram determinantes para a vitória dos candidatos mais coerentes com a tecnologia de abrangência massiva. A conclusão de que “as campanhas eleitorais foram transformando-se em verdadeiros festivais nos quais o espetáculo conta mais do que a ideologia, a paixão mais do que a reflexão, a emoção mais do que a argumentação” (pág. 182) indicou um dos princípios-chave do Estado espetáculo: o conhecimento das emoções que o líder despertará e seu conseqüente aproveitamento.

O autor continua e justifica o poderio da televisão afirmando que os falsos mitos “impedem a tomada de consciência da complexidade da experiência de ser telespectador e, em conseqüência, do extraordinário poder socializador da televisão, do alcance real de seus efeitos”. (págs. 14 e 15) Imagens na imprensa escrita e na TV da morte de um oficial guerrilheiro no Vietcongue foi o necessário para sensibilizar os americanos, os quais sabiam que milhares de pessoas morriam no combate. O impacto emocional mobilizou a opinião pública contra a guerra, algo que centenas de páginas escritas não haviam conseguido. Um exemplo da influência da potência emocional no ser humano.

Inevitavelmente, o discurso político torna-se cada vez mais próximo do discurso publicitário, e nós, sem a percepção de que somos consumidores das propostas sociais, cedemos continuamente à sedução da mídia. Imagem pura. Muito longe do convencimento, somos vitimados pela beleza e influência espetaculares que a telinha proporciona. Nas histórias do mundo, temos o ator Mikhoels orientando Stálin; o famoso Goebbels, doutor em filosofia e ministro da Propaganda na Alemanha nazista, o fazia com Hitler; o publicitário baiano do início do texto também leva o mérito pela conquista da presidência do Brasil pelo pobre operário nordestino que recorre atualmente ao Botox rumo à disputa eleitoral de 2006. Vida de político não é fácil, não; e sai caro!.

Com estas proposições, já se pode contar com um bom armamento contra as tentativas de burla do inimigo: a compreensão do discurso político encenado e a percepção dos fatores que o legitimam, como a identificação provocada no receptor que se mostra, então, crédulo às “propostas”. Não esqueçamos jamais das pesquisas de opinião, principal mecanismo legitimador. É para estes alvos que nossa munição deve apontar. O lema é: “Precaução máxima com o aparelho de TV”. Alerta sempre. Enfim, são apenas recomendações rápidas em defesa do nosso patrimônio intelectual e financeiro.

Por Juliana Sousa

A seguir, algumas marcas de Duda Mendonça no governo e no PT:

Festa da posse
Foi totalmente concebida pelo publicitário, desde os desenhos dos palcos na Esplanada dos Ministérios até a idéia de que o presidente Lula percorresse a Esplanada em carro aberto, passando no meio da multidão. Também foi registrada por sua equipe em película, para exibição posterior.
Custo divulgado: R$ 1,5 milhão (total da festa)

Fome Zero
Duda idealizou o nome do programa de segurança alimentar, a logomarca (prato com talheres dentro da bandeira do Brasil) e a campanha publicitária na TV, com o slogan “O Brasil que come ajudando o Brasil que tem fome”. O locutor é o mesmo da campanha.
Custo: R$ 3,5 milhões

Logomarca do governo
A palavra “Brasil” aparece em várias cores, com uma bandeira do país na letra “a”. Abaixo, aparece um subtítulo: “País de todos”. A marca é usada para identificar obras, sites, documentos e propagandas do governo.
Custo: segundo a Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), Duda não cobrou pelo trabalho.
Fonte: Revista Primeira Leitura

*Trocando de monitor:

Efeito Copa do Mundo: os acessos à internet caíram 70% durante os jogos do Brasil. Na televisão, a audiência quadruplicou.

Efeito horário eleitoral: 28% dos aparelhos de TV são desligados quando começa o programa eleitoral noturno. Os acessos à internet sobem 30% e as compras virtuais, 8%.

Fonte: Plug e Ibope.

Referências bibliográficas:
- FERRÉS, Joan. Televisão Subliminar: socializando através de comunicações despercebidas. Porto Alegre: Artmed, 1998.
- PRIMEIRA LEITURA, São Paulo: n. 17, jul. 2003. Mensal.
- VEJA. São Paulo: v. 1970, n. 33, ago. 2006. Semanal.